22 novembro 2005

testamento


Quando morreste, aqueles que de ti não gostavam, pela tua irreverência e maneira única de estar na vida, mudaram-te o estatuto, passaste de "besta a bestial".
Não posso deixar de dizer, que até tem uma certa graça, observar, aqueles que eu sei não gostarem de ti, no teu funeral e com a lágrima no canto do olho... não fosse o momento tão triste, até dava para rir!
A contorvérsia que geravas à tua volta, pela tua franqueza e naturalidade, deixava-os às vezes sem chão!
É triste agora observar, que quando se morre sem se esperar, quando nada se deixa escrito, tudo é permitido aos "galifões", tudo é permitido dizer que é de A ou de B, dizem que disseste, que promesteste... algumas coisas são tão absurdas, que quase não dá para acreditar no que se ouve...toda a gente quer o que era teu.
Amigos que pensavas ter, hoje andam com outros amigos que também pensavas serem, à bulha... que gente tão triste...

Sabes... dou comigo a pensar em ti,
onde estarás tu, que eu ainda sinto tão vivo?

gostaria de pedir um desejo,
que estejas onde estiveres,
não te seja permitido ver isto,
nem os que sofrem por falta de um papel teu,
gostaria de ter a certeza,
que estás em Paz,
que te deixaram morrer,
mas como sempre só tenho dúvidas,
e cada vez menos certezas...

imagem: images.com

6 comentários:

sponte sua disse...

Mas não é quase sempre assim? Resta-nos a consolação - fraca, por sinal - de desejar que, de facto, quem partiu não veja tudo isso...

Espantem-se as mentes! Quem assim procura com tenebrosa avidez algo que pertenceu a alguém de quem não gostava, nunca será verdadeiramente proprietária desse(s) objecto(s). A história, as histórias que encerra(m) não se compram, sentem-se...

E se o sentes vivo, stela, muito provavelmente serás das poucas, senão a única, com discernimento suficiente para sentires o que se passa!

Partilhas disse...

Partilhas...

Insolente disse...

sao assuntos delicados, sou daquelas pessoas que evita o tema até porque nunca tenho nada para dizer, pelo menos que acrescente algo que venha melhorar seja o que for... pronto acho que já tou a dizer coisas a mais sem nenhum interesse tal como previ... bem hajas... futuramente pelo menos

Maria JMãe disse...

Stela, olá.

Sabes, há pouco mais de uma ano perdi uma pessoa de família que me era muito querida. Doeu mais porque era muito nova. Ainda não tinha vivido quase nada.

Sou agnóstica, mas muito pouco dada a grandes misticismos; talvez seja uma agnóstica mais para o pragmático. Mas nesse pragmatismo, sei - sinto - que há mais para além desta realidade surreal em que nos movemos. E desde o dia em que me despedi do meu anjo, que sei que o momento em que partiu foi por sua escolha, que está bem e que nos encontraremos de novo.

Talvez eles - os anjos que se foram - vejam a miséria com que alguns de nós pautam as suas vidas. E talvez não gostem disso, nem de nos ver sofrer porque se foram antes do tempo - ou antes de nós. Eu acredito, todavia, que os caminhos que cada um de nós escolhe é para dele colhermos lições. E todos temos de as aprender. Uns, demoram mais a "ver". Outros, aprendem as lições mais devagar...

Felizmente, acho que me abrirem os olhos a tempo...

Um beijo para ti. E obrigado pelo teu telefonema de ontem. Está cá registado, no coração!

Elipse disse...

Se a imagem que guardamos das pessoas é bonita, nada pode estragá-la. Especialmente quando as pessoas que recordam são também bonitas. As outras não interessam.

SoNosCredita disse...

"onde estarás tu, que eu ainda sinto tão vivo?"

percebi bem ,afinal...